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Portugal tem uma das taxas mais baixas de investimento directo estrangeiro, diz estudo da Ernst & Young
06/11/09, 07:24
OJE/Lusa
Imagem de Portugal junto de investidores internacionais piora em 2009, revela estudo
06/11/09, 07:34
OJE/Lusa
O pessimismo alemão também apresenta resultados!
Volte-face na venda da Opel escandaliza analistas alemães e provoca protestos dos trabalhadores
06/11/09, 07:19
OJE/Lusa
O caso da EDP..
Como vem acontecendo de há vários anos a esta parte e com alguma regularidade, a EDP ataca comercialmente (e literalmente) os seus clientes com pressões, ora positivas (promessas publicitárias), ora negativas (ameaças quanto às condições de prestação do serviço), para que esses mesmos clientes acabem por se sujeitar ao pagamento automático ou, melhor dito, por débito directo autorizado – veja aqui as razões (deles €€€) para tamanha fuçanguice.
Como acontece com frequência (e por mais que me queixe não consigo ver isto resolvido) recebi na minha caixa do correio no dia 26 de Outubro de 2009 uma factura da EDP com data limite de pagamento para o dia... 23 de Outubro, o que já significava um pagamento adicional para mim de 1,25 euros de uma coisa a que eles chamam “Mora/Juros atraso de pagamento” mas que é, afinal, um valor fixo que não depende do montante da factura.
Normalmente, lá vou eu pagar a coisa e reclamar novamente nos Correios de Portugal (outra empresa que tal) e costuma ficar por aqui. Mas desta vez a coisa foi um pouco mais longe. Apenas dois dias depois, a 28 de Outubro de 2009 recebo, na mesma caixa de correio, uma outra carta da EDP (datada exactamente de 28 de Outubro!) com o seguinte texto em assunto: “Atraso no pagamento. Suspensão do fornecimento de energia eléctrica.”.
A isto chama-se actualmente bulliyng comercial e é legalmente penalizado em muitos países civilizados.
A EDP é a maior empresa industrial portuguesa e detém o monopólio da distribuição (e o quase monopólio da produção) de electricidade em Portugal.
Pergunta-se: - Porque é que uma empresa com 9 milhões e 700 mil clientes e um resultado líquido acumulado de 750 milhões de euros só nos primeiros 9 meses deste ano trata assim os seus clientes – os particulares, aqueles que pagam sempre, ao contrário de muitos institucionais e empresariais (como p. ex. câmaras municipais e empresas públicas) que devem - e por vezes não chegam a pagar - somas enormes?
Resposta: - Obviamente, porque não tem concorrência!
Os portugueses foram mais uma vez enganados.
A liberalização do mercado de energia eléctrica em baixa tensão em vez de trazer a preconizada concorrência entre diversos fornecedores, trouxe um aprofundar do monopólio da EDP com o chamado MIBEL (Mercado Ibérico de Electricidade) e o OMIP (Operador do Mercado Ibérico de Energia- pólo português).
Resultado: os portugueses são mal servidos, maltratados, indecentemente enganados e pagam uma das energias eléctricas mais caras da Europa.
Quando é que os portugueses e, especialmente, as portuguesas, perceberão que isto tem que mudar? Que um governante ou um gestor público têm que ser mais que um fato de marca ou uma atitude dominadora? Que a competência, a honestidade e o sentido de serviço são absolutamente imprescindíveis àqueles a quem o povo soberano outorga o poder de tomar as decisões que moldam o destino do país?
Imaginem que firmam um contrato de prestação de serviços que estabelece determinadas condições e custos correspondentes. Imaginem que passado algum tempo, a parte contratada decide, unilateralmente, mudar as condições e os custos dessa prestação de serviços. Imaginem que, para além disso, a parte contratada não vos avisa dessa mudança. Imaginem, finalmente, que concederam à parte contratada acesso a cobrança directa na vossa conta bancária do custo dos tais serviços contratados e ela o faz sem vos avisar antes, sem vos enviar qualquer factura ou nota de cobrança, pelo que vocês só sabem o montante cobrado... depois da cobrança.
Isto é possível? Não só é possível, como – pelos vistos – parece ser completamente legal.
Como muitos já terão percebido (por experiência própria) fala-se aqui da actividade bancária, apenas na sua vertente mais simples da guarda do vosso dinheiro – cujo uso e usufruto fica, na maior parte dos casos, completamente e discricionariamente à disposição do guardador, o banco.
Imaginem, para cúmulo, que se a vossa conta estiver sem ser movimentada há muito tempo e não dispuser do montante necessário para cobrir os tais custos acrescidos (de que não foram avisados), a parte contratada cobra-se a si mesma e transforma, sem vos avisar, esse montante em débito (dívida) e começa a cobrar o que muito bem entende (de juros) sobre esse débito.
E isso, é possível? Espantosamente, tudo leva a crer que sim.
E não reclamou o indígena? Claro, por várias vezes.
1º reclamação, 22 de Outubro de 2008, resposta do BdP em 19 de Dezembro de 2008:
Na sequência da reclamação de V. Exa. e do procedimento previsto pelo Decreto-Lei n.º 156/2005, de 15 de Setembro, foi-nos comunicado pela instituição de crédito que se encontra esclarecido e resolvido com V. Exa. o assunto que deu origem à referida reclamação.
Com esta comunicação fica encerrada a intervenção do Banco de Portugal no processo de reclamação.
2ª reclamação, 14 de Janeiro de 2009, resposta do BdP em 8 de Abril de 2009:
Na sequência da reclamação de V. Exa. e do procedimento previsto pelo Decreto-Lei n.º 156/2005, de 15 de Setembro, foi-nos comunicado pela instituição de crédito que se encontra esclarecido e resolvido com V. Exa. o assunto que deu origem à referida reclamação.
Com esta comunicação fica encerrada a intervenção do Banco de Portugal no processo de reclamação.
(Não, não é engano: é igualzinha à anterior. Será uma minuta?)
3ª reclamação, 28 de Agosto de 2009, resposta do BdP em 15 de Setembro de 2009:
... analisada a matéria objecto da reclamação e ouvida a entidade reclamada, de acordo com o procedimento previsto no Decreto-Lei n.º 156/2005, de 15 de Setembro, não foram colhidos indícios de que a mesma entidade tenha violado normas específicas da actividade das instituições de crédito ou quaisquer outros elementos que justifiquem a actuação do Banco de Portugal.
Com esta comunicação fica concluído o processo de reclamação iniciado por V. Exa..
Eis as respostas que o Banco de Portugal dá ao cidadão queixoso, ao contribuinte que o sustenta: “foi-nos comunicado pela instituição de crédito que se encontra esclarecido e resolvido o assunto” (uma mentira) ou “ouvida a entidade reclamada, ..., não foram colhidos indícios de que a mesma entidade tenha violado norma específicas” (colhidos indícios?!).
Ainda bem que estes senhores muito bem pagos lá estão a zelar denodadamente pelos interesses dos portugueses (se não de todos, pelo menos de alguns de grande qualidade):
BdP abre inquérito a Armando Vara, diz imprensa
Banco de Portugal averigua mas não pode suspender
José Sócrates está para a política como Tony Carreira está para a música.

O vídeo de anúncio do documentário Pare, Escute, Olhe foi encontrado aqui, no blogue Risco Contínuo.

Não deixe passar a oportunidade para ler uma obra considerada tão polémica:
- Descarregue parcial ou totalmente daqui para o seu computador e imprima;
- Ou, se não pode ou não tem paciência para ler, descarregue os ficheiros de audio aqui e ouça.
Não há mesmo desculpa nenhuma para deixar de conhecer esta obra tão fundamental.
Enquanto a comunicação social e a blogosfera se entretêm com as parvoíces que disse uma qualquer actriz brasileira loura há muito tempo atrás (quem terá encomendado esta manobra de diversão?), a realidade quotidiana dos portugueses continua a degradar-se a passos largos.
"Os portugueses continuam a empobrecer". A conclusão é da Assistência Médica Internacional de acordo com dados recolhidos no primeiro semestre do ano. Assistência Médica Internacional (AMI) diz que há uma nítida tendência para um crescente número de casos de pobreza e que a grande maioria das pessoas que pede auxílio encontra-se em plena idade activa, entre os 21 e os 59 anos de idade. ... (Pobreza em Portugal não pára de crescer, 2009-10-15, JN)
E porquê?
Desemprego e sobre-endividamento são as causas que estão por detrás da maioria dos novos casos da Cáritas. “O mais preocupante é que este problema tende a crescer e a agravar-se nos próximos meses”, reconheceu José Alves, responsável da Cáritas Diocesana de Aveiro, destacando os casos em que o chefe de família tinha um pequeno negócio que acaba por falir. “São famílias que, na maioria, eram financeiramente suportadas pelo pequeno negócio e que, de uma hora para a outra, se vêem sem nada e cheias de dívidas. Como não têm direito a subsídio de desemprego, é o caos”, refere. ... (Pobreza: Cada vez há mais famílias aflitas, 2009-10-16, Diário de Aveiro)
A actividade económica em Portugal está exangue. Os números dos casos de carência económica grave e das falências são assustadores.
A razão porque os efeitos da recessão não foram tão drasticamente visíveis em Portugal como noutros países é resultado do estado prévio quase inanimado da sua Economia, facto que foi muito bem aproveitado pelos anteriores (e próximos) primeiro-ministro e ministro da Finanças para demagogicamente fazerem crer que o país “não estava a sofrer como outros os efeitos da crise”. O arrefecimento de um organismo já frio é muito menos visível e doloroso que o arrefecimento de um organismo que estava quente; o problema é que esse organismo super arrefecido poderá nunca mais aquecer – a esse estado chama-se comatoso.
O que faz o governo entretanto?
As escolas do 1.º ciclo vão começar a distribuir até final do mês frutas e produtos hortícolas às crianças, ao abrigo de uma portaria que visa contribuir para a promoção de hábitos de consumo de alimentos benéficos para a saúde. A medida, de que vão beneficiar perto de 500 mil alunos, custará ao Estado cinco milhões de euros. ... (Escolas do 1.º ciclo vão distribuir frutas e legumes a 500 mil crianças, 13/10/2009, Público)
Com milhares de famílias em situação de desemprego, seguramente com crianças a passar fome, o paternal e todo poderoso Estado socialista gasta 5 milhões de euros a dar fruta aos meninos na Escola, em vez de investir na criação de condições de subsistência para essas famílias. Eis o paradigma económico socialista: gastar em vez de investir.
É revoltante e uma enorme injustiça para aqueles que lutam para conseguir suprir as necessidades dos seus filhos, e é também uma péssima lição de Economia às crianças, que passarão a desvalorizar tanto a fruta como o trabalho necessário para a obter.
Quem manda redigir e aprova esta portaria (deveria chamar-se, com toda a propriedade, porcaria) demonstra uma enorme ignorância pedagógica, didáctica e social. Só um indivíduo muito ignorante (ou muito estúpido) pode pensar que as boas práticas alimentares se conseguem à custa da distribuição gratuita – duas vezes por semana! – de um determinado tipo de alimentos na Escola.
Os maus hábitos alimentares vêm de casa, por más escolhas, maus exemplos, carências económicas e culturais. E, já agora, o que diz a portaria sobre a venda nos recintos escolares, nos bares e em máquinas automáticas, de uma imensa variedade de má comida (junk food)?
É isto o socialismo “da treta” – mais pragmaticamente explicado aqui.
Tem que dar-se razão ao que escreve Vasco de Graça Moura aqui.