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Categoria: AVISOS

A falsa solução da crise financeira na Europa,

zedeportugal 22/08/2009 @ 04:00

ou a velha (e nunca aprendida) lição de que os problemas não se resolvem pela aparência, mas apenas agindo na essência.

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Regulators close 2 banks in Florida, 1 in Oregon, marking 72 US bank failures this year
Associated Press
Last update: August 7, 2009 - 10:46 PM

U.S. regulators close three banks
Fri Aug 14, 2009 10:08pm EDT

US regulators close Colonial
By Julie MacIntosh, Henny Sender and Saskia Scholtes in New York
Published: August 15 2009 00:52 | Last updated: August 15 2009 00:52

Aug 14, 2009 6:47 pm US/Eastern
Regulators Close Dwelling House Savings & Loan

Mas não nos fiquemos por alguns artigos mais recentes e vejamos a lista completa das falências de bancos e outras instituições financeiras nos EUA, aqui.

O que terá a dizer sobre isto o simplório simplex que escreveu esta simplexidade*.
E, havido este singelo momento de devaneio, passemos ao essencial.

A pergunta lógica a fazer em seguida é: Porque acontece isto nos Estados Unidos da América e não na Europa?

Exploremos algumas das razões que podem dar respostas plausíveis:
Algumas dessas razões podem encontrar-se neste artigo da BBC News publicado em 5 de Outubro do ano passado, German bank at risk of collapse:

The leaders also issued a joint call for a G8 summit "as soon as possible" to review the rules governing financial markets.
They decided instead to seek a relaxation of the EU rules governing the amount of money individual states can borrow.
...
UK Prime Minister Gordon Brown, meanwhile, called on European leaders to send the message that "no sound, solvent bank should be allowed to fail through lack of liquidity".

Traduzindo e topicalizando:
1. Ignorar as regras da UE que determinam o montante máximo de empréstimos que cada país pode contrair;
2. Alterar as regras dos mercados financeiros;
3. Injectar liquidez em qualquer banco considerado solvente (mas não verificado, como se viu no caso do BPN).

Contudo, só isto não poderia explicar a quase absoluta ausência de falências bancárias nos países da UE. Como mantém a Europa esta liquidez, que aparentemente excede a produção de moeda pelo BCE?
A resposta a estas perguntas poderá estar subjacente a esta notícia que se reporta ao conhecido caso do departamento de justiça dos EUA contra o banco suíço UBS:

Putting figures on the secret banking industry is as precise a business as the old game of pinning the tail on the donkey, but experts reckon that Switzerland is home to about a third of the world's $11 trillion or so in clandestine wealth.
What this week's announcement adds up to is a small but significant crack in the giant black box that is Swiss banking.

Como se pode ler em cima, as autoridades norte americanas calculam em 11 triliões de dólares – pela escala numérica europeia, 11 biliões de dólares – os montantes depositados em contas reservadas de bancos europeus para fugir aos impostos nos EUA. Desses, calculam que apenas 1/3 esteja em contas suíças, o que significa que muito deste dinheiro estará em contas de outros países, que não forçosamente paraísos fiscais, como por exemplo o Liechtenstein, o Luxemburgo e a Bélgica (para só mencionar os suspeitos do costume).

Mas... que problema pode estar por detrás desta constatação?

UBS clients can report their accounts to the IRS until Sept. 23. Those voluntary disclosures helped widen the IRS net.
“As more Americans voluntarily come into compliance and face their financial obligations, more leads are being developed and new investigations are initiated,’’ acting US Attorney Jeffrey Sloman said.

É muito simples. À medida que o dinheiro for ficando visível, o interesse dos seus proprietários em mantê-lo na Europa desaparece. A maior parte destas contas europeias, que estavam em bancos ainda não acusados pela administração norte americana, já terão por esta altura zarpado para outros lugares e continentes, ou estarão em vias disso.
Ora, o resultado imediato desta acção será um decréscimo muito rápido e acentuado da liquidez nos países da Europa, agravado pelo facto de, em muitos casos, os bancos estarem a esconder este sangramento para não se colocarem à mercê das questões judiciais que daí resultariam.

E, a crise financeira voltará a agravar-se. Ou pensam que é por acaso que, ao contrário dos socretinos por aí andam (ainda), o senhor Trichet recomenda prudência (mesmo pressionado por Bernanke ao contrário) e a senhora Merkel faz estas declarações. Ora ora...

 

Nota: Este texto foi também publicado aqui.

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*O mau neologismo simplex - tão ao gosto destes maviosos e loquazes nerd-socialistas – expressa muito bem a qualidade do que vai nas suas elementares cabecinhas.

Rubini confirma a previsão económica aqui do Jardim.

zedeportugal 07/08/2009 @ 12:14

Um título talvez um bocadinho presunçoso e capcioso, mas verdadeiro.

 

Se quiserem dar-se ao trabalho de ler este postal da autoria da fantástica equipa do Um Jardim no Deserto (I, me and myself), e em seguida este texto de Tavares Moreira no Quarta República, poderão comprovar a veracidade do afirmado no título.

Roubini

Afinal, parece que Nuriel Rubini anda muito mais orientado do que a fabulosa equipa do Um Jardim no Deserto sugeria aqui... ;)

 

Nota: O prolongamento da crise mundial também já tinha sido previsto por Krugman, ao compará-la com a recessão prolongada da Economia japonesa. Outro que deve vir ler (subrepticiamente) os postais cá do Jardim...

Complemento (para mentes brilhantes) aqui.

O declínio do Ocidente: uma demonstração.

zedeportugal 04/07/2009 @ 03:23

Clique na imagem em baixo e aceda ao gráfico interactivo Top 20 finantial institutions by market capitalisation, $bn, 1999-2009, publicado no Finantial Times.

Top 20 finantial institutions 2009

Faça deslizar o cursor que se encontra na parte inferior e veja como em apenas 3 anos (2007 -2009) os bancos chineses aparecem entre os 20 maiores e assumem as 3 primeiras posições.

Se não conseguir aceder ao gráfico interactivo - porque não tem o flash-player ou por outra razão qualquer - veja aqui, no blogue The Big Picture, 2 boas imagens estáticas tiradas do gráfico interactivo nas suas posições extremas, 1999 e 2009.

Os discursos de índole totalitária são semelhantes?

zedeportugal 16/06/2009 @ 21:24

Uma tese apoiada em citações.

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Ditadura implícita

"Nós queremos uma maioria parlamentar que permita ao PS governar sozinho."2

"Orgulhosamente sós!"1

"Uma maioria parlamentar é uma maioria absoluta, que eu saiba, a não ser que haja outra maioria parlamentar que permita governar sozinho."2

"As discussões têm revelado o equívoco, mas não esclarecido o problema; já nem mesmo se sabe o que há-de entender-se por democracia."1

" Pedimos a renovação da maioria, não porque seja um fim em si mesmo, mas porque a maioria é condição para que o Governo tenha a força e estabilidade necessárias para conduzir a recuperação da economia."2

"Decididamente, decisivamente, pela Nação, por nós e ... até por eles".1

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Concluindo:

"Em política, o que parece é."1

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1Salazar dixit, na Wikiquote.

2Sócrates dixit, no jornal i .

Novo crescimento da bolha especulativa e

zedeportugal 14/05/2009 @ 23:47

a falácia da recuperação económica.

 

Nas últimas duas semanas têm sido bastante comuns notícias como estas – escolhidas ao acaso nas Newsletters com que o OJE me enche a caixa de correio electrónico e até já não muito frescas –, cujos linques se indicam a seguir:

 

Bolsas à prova da Gripe
03/05/09

PSI 20 abre em alta acima dos 2%
07/05/09

Bolsa de Tóquio fecha em máximos de seis meses
07/05/09

Nova Iorque encerra a brilhar impulsionada pela banca
07/05/09

A muitos poderão estas parecer boas notícias para a Economia, mas não o são, porque – também escolhidas ao acaso e na mesma fonte – lá estão demasiadas notícias deste outro teor:

 

Platex propõe 200 em regime lay off
06/05/09

Sonae Indústria com 40 milhões de prejuízos devido a quebra nas vendas
07/05/09

Tribunal de Gaia declara Jotex insolvente
12/05/09

GM afunda em Bolsa para níveis de 1933
12/05/09

DuPont elimina mais 2.000 postos de trabalho
08/05/09

O lucro financeiro sem suporte na produção é meramente especulativo. O financiamento por parte dos governos de todo o mundo aos grandes grupos financeiros está a favorecer o tipo de negócios que conduziram a esta crise, e a agravar a situação ao fazer crescer novamente a bolha especulativa.

A crise actual tem origem num prolongado período de especulação financeira, que teve origem a seguir à primeira crise económica dos anos 90 e que atingiu o seu máximo na saída da crise do final da mesma década – a chamada “dot-com bubble”. Isto é bem perceptível, por exemplo, na comparação de preços e ganhos do índice dos mercados de acções designado MSCI World constante do gráfico seguinte – apesar de ele não ser construído para mostrar isso:

 

msci world prices-earnings


A quem interessa usar as expectativas criadas por estes lucros especulativos? A resposta a esta pergunta está inteiramente dada e demonstrada no quadro seguinte:

 

Bolha especulativa
Clique na imagem para ver maior

 

A Economia e a Finança estão hoje indissociavelmente ligadas, mas não são a mesma coisa. Impedir artificialmente que instituições financeiras completamente inviáveis, à luz dos princípios da Economia de livre mercado, claudiquem por incapacidade própria, não só não garante de forma alguma a desejada recuperação económica, como pode ainda agravar a situação de crise.

 

Como dizem, aliás, num assomo de honestidade, os autores deste estudo (pág. 14) encomendado pelo Citi Bank, destinado a tentar provar, pelo contrário, que os sinais dos mercados bolsistas indiciam uma recuperação da Economia:

 

The biggest risk to our outlook is a worse and more extended downturn for the global economy and corporate earnings than we currently forecast. Valuations discount recession, but not depression and deflation.

 

Cuidado com os pistácios importados,

zedeportugal 05/04/2009 @ 03:34

também conhecidos como pistachos.

 

Pistácios

Segundo esta notícia do The Washington Post, que por ser datada de 1 de Abril foi confirmada por esta outra da Reuters datada de 3 de Abril, os pistácios importados dos Estados Unidos da América poderão estar contaminados com Salmonella. Segundo a mesma notícia, uma parte dos pistácios contaminados terá sido exportada para a Europa - a notícia refere a Noruega como exemplo.

A Salmonella é um género de bactérias que causam infecções gástricas e intestinais graves denominadas salmoneloses.