no jornal i de 12 de Agosto de 2009.
Alexandre Relvas, gestor de empresas, presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro, homem do PSD (obviamente), veio a público, muito bem documentado, divulgar alguns números demonstrativos do falhanço da política económica do actual governo socialista:
De 2005 a 2008 Portugal cresceu todos os anos claramente abaixo da União Europeia. Temos vindo a empobrecer em termos relativos desde 2005. O crescimento potencial da economia desceu para menos de 1%, o mais baixo da União.
De acordo com o World Economic Forum, Portugal perdeu competitividade. Passámos do 24º lugar do ranking internacional em 2004 para o 43º lugar em 2008.
Apesar desta evolução, as empresas aumentaram o seu endividamento, assim como as famílias. O endividamento das empresas passou de 110% do produto interno bruto em 2004 para 140% em 2008 e o das famílias, de 80% para 96% do PIB.
O endividamento externo também aumentou todos os anos ao longo desta legislatura. O défice externo, que foi de 6,1% do PIB em 2004, passou para 10,5% em 2008 e o endividamento externo de 69% do PIB em 2004 para 97,2%. O país viveu assim sempre acima das suas possibilidades, apesar do fraco crescimento económico.
Desde 2007, o país tem tido sempre mais de 400 mil desempregados, sendo a taxa de desemprego superior a 7%, apesar da promessa eleitoral de criação de 150 mil novos empregos.
A carga fiscal passou de 34,9% do PIB em 2004 para 37,5% em 2008. Face ao seu nível de vida, os portugueses pagam um nível de impostos 24,8% superior à média europeia, valor este que era de 18% em 2004.
O Estado também se endividou ao longo da legislatura. A dívida pública, que era de 58,3% do PIB, em 2004 passou para 66,4% em 2008.
Como seria de esperar, a reacção socialista não tardou. Carlos Santos, economista, Professor na UCP, homem do PS (obviamente), viria a publicar em resposta, poucas horas mais tarde, um texto de sua autoria em vários blogues socialistas (SIMplex, O valor das ideias, Câmara de Comuns) “O PSD e a demagogia das críticas à política económica: os erros de Alexandre Relvas”.
Esperar-se-ia um contraditório, um desmentido dos números apontados por Relvas, mas afinal o resultado é este:
Alexandre Relvas diz que José Sócrates não cumpriu a promessa da criação de 150000 novos empregos. Pois não. ...
Alexandre Relvas diz que o défice externo subiu para 10,8% em 2008! Pois subiu! Tem toda a razão. ...
O Dr. Relvas diz que a dívida pública subiu para 66% em 2008. E mais uma vez tem razão. ...
Os números são uma arma terrível contra a demagogia. É que não há volta a dar-lhes: 37,5% de alguma coisa é sempre maior do 34, 9% da mesma coisa, e a coisa é, no caso, a carga fiscal dos portugueses. Do mesmo modo, 66,4% de uma coisa é também sempre maior do que 58,3% da mesma coisa, e a coisa é, neste caso, a dívida pública portuguesa.
Quanto aos 133 mil empregos que, afirma o Dr. Carlos Santos, “no final do primeiro trimestre de 2008, de acordo com o INE, já tinham sido criados”, só pode tratar-se de um número quântico principal (dado ser o único, ao que sei, que “pode tomar como valor qualquer número positivo”), pois o número de desempregados inscritos em Centros de Emprego era, de acordo com os números do IEFP, de 486 mil em Novembro de 2004 e de 489 mil no final de Junho de 2009. Ora, isto significa em cálculo aritmético simples (486000-489000=-3000) mais 3 mil pessoas desempregadas (e registadas nos Centros de Emprego).
E este números nem sequer tomam em consideração que a população activa diminuiu no intervalo de tempo indicado e não incluem mais alguns milhares de desempregados colocados à pressa em múltiplos programas de formação do IEFP nos últimos meses.
Daqui só pode concluir-se uma de duas coisas: ou o governo apresenta números falsos quando afirma ter criado 133 mil empregos, o que seria impensável por parte de um governo da República, ou o governo utiliza um número quântico principal, n, “cujo valor define a energia do átomo de hidrogénio”.
Isto já não é “programa tecnológico”; trata-se, como podem constatar, de um “programa científico” que o PS certamente se prepara para aplicar aos portugueses já a partir de Outubro próximo, caso os portugueses voltem a votar neles.
Este texto foi publicado primeiro aqui.