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Categoria: ELEITORALICES

Um comentário final aos resultados das legislativas 2009.

zedeportugal 04/10/2009 @ 10:02

A justeza das escolhas do povo ou a surpreendente sabedoria do inconsciente colectivo.

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Como já havia referido aqui, em condições de livre escolha (ou, pelo menos, com condicionamentos moderados) observa-se com frequência uma inexplicável sabedoria nas escolhas colectivas dos povos. Terá sido, uma vez mais, o caso? Vejamos:

1. É justo ou não que um partido que não muda o seu discurso, a sua imagem e a sua liderança há... - há quanto tempo é secretário-geral Jerónimo de Sousa? - tenha sempre aproximadamente o mesmo número de votos?
A CDU aumentou um pouco a sua votação. O bom resultado eleitoral nas Europeias e a forte contestação a muitas acções do governo poderiam fazer pensar num resultado melhor. E assim seria, provavelmente, sem a concorrência directa do BE, em especial nos votos dos mais jovens. De qualquer forma, as eleições legislativas não são o ponto forte da CDU, ao contrário das autárquicas que se aproximam e nas quais – estou convicto – esta força política vai recuperar muitas das Câmaras que perdeu anteriormente para o PS.
2. É justo ou não que um partido que aproveitou (diria mesmo explorou) o enorme descontentamento (diria mesmo revolta) dos jovens com a situação de precariedade laboral para que cada vez mais predominantemente são empurrados, tenha tido mais cerca de 200.000 votos que nas eleições anteriores?
O BE teve um bom resultado eleitoral e constitui agora, cada vez mais, uma poderosa força de protesto, pois esse é o principal suporte da sua acção política, fruto da vontade colectiva da maioria dos seus militantes e apoiantes.
3. É justo ou não que um partido que assumiu com tanta coerência e determinação a defesa dos interesses da sua clientela eleitoral tenha aumentado a sua votação em cerca de 500.000 votos?
O CDS foi o partido que mais fez crescer a sua votação relativamente às eleições legislativas anteriores e, também, relativamente às previsões das sondagens - os “sondageiros” nunca mais aprendem que a maioria das pessoas que votam CDS não respondem a inquéritos por telefone sobre a sua vida e as suas preferências.
4. É justo ou não que o partido liderado agora pela militante que tanto desdenhou e criticou o anterior presidente, por este ter obtido 28,7% dos votos expressos nas legislativas anteriores, tenha agora obtido 29,1% desses mesmos votos?
O PSD foi, ou melhor, continuou a ser um partido derrotado. O que os números dizem é que nunca chegou a recuperar da má imagem que criou para si mesmo a partir da legislatura de Barroso.
5. Finalmente, é justo ou não que o partido do poder tenha perdido aquilo que o tornou (e que ainda perdura) a mais perigosa ameaça à liberdade individual e colectiva da nação desde o período da ditadura? É justo ou não que o povo obrigue agora este partido e, especialmente, este líder arrogante a governar em minoria, suportando as consequências da sua anterior (muito má) legislatura e suportando o desgaste para a imagem dos ditos a que isso inelutavelmente conduzirá?

Com este resultado, o PS não perdeu as eleições, mas muito mais do que isso: perdeu o poder, ou melhor, entrou num prolongado e intravável processo de perda do poder semelhante àquele em que o PSD entrou há cinco anos atrás.

 

Capa cd - Falling down

 

Este texto foi publicado primeiro aqui.

Propriedades psicológicas das cores: A asfixia cromática.

zedeportugal 19/09/2009 @ 19:18

Too much pink is physically draining and can be somewhat emasculating.
Demasido cor-de-rosa é fisicamente debilitante e pode ser um bocado castrador.

Mapa rosa 2005

 

While pink's calming effect has been demonstrated, researchers of color psychology have found that this effect only occurs during the initial exposure to the color. When used in prisons, inmates often become even more agitated once they become accustomed to the color.
Embora o efeito calmante do cor-de-rosa tenha sido demonstrado, investigadores em psicologia das cores constataram que este efeito só ocorre durante o período inicial de exposição à cor. Quando é usado em prisões, os reclusos tornam-se com frequência ainda mais agitados quando se acostumam à referida cor.

Imagem copiada daqui.

Para acabar de vez com a mentira da 'ingovernabilidade'.

zedeportugal 11/09/2009 @ 17:59
É preciso desmontar completamente a mentira da "ingovernabilidade" com que o PS e o PSD teimam em assustar os portugueses.

Vejamos, por exemplo, os resultados das últimas eleições na Bélgica (10 Junho 2007):
Nota: clique em cada uma das imagens para ver os quadros e gráficos maiores.

1. Distribuição dos votos entre os partidos concorrentes para a Câmara dos Representantes do Parlamento belga (que corresponde, aproximadamente, à Assembleia da República portuguesa) nas eleições de 2007:

Chambre de Répresentents belge 2007
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2. Comparativo do número de lugares que cada partido obteve na Câmara dos Representantes do Parlamento belga nas eleições de 2003 e nas de 2007 (vejam como os partidos socialistas, que lá são dois, perderam imensos lugares em 2007):
Chambre de Représentants belge - comparatif places 2003-2007
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3. Composição actual (multipartidária) do governo belga:
Gouvernement belge 2008 - composition ministres
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Isto sim, é democracia representativa - que é aquela em que o maior número possível de cidadãos está representado.
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Alguém acha que falta democracia na Bélgica?

Alguém ouviu os belgas queixar-se que se sentem "ingovernados"?

A taxa oficial de desemprego na Bélgica era, em Julho passado, de 8,0%.

A taxa oficial de desemprego em Portugal era, na mesma data, de 9,2%.

Qual dos dois países está melhor governado?

Nota: Este texto foi publicado primeiro aqui.

Ilustração de conceitos em 'ao-ar-livres'.

zedeportugal 03/09/2009 @ 00:06
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Cartaz - Determinação
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O debate desta noite noite na TVI, entre o futuro ex-primeiro-ministro e o futuro coligo-me-a-qualquer-um produziu afirmações muito interessantes, de entre as quais se destaca aqui esta (aleatoriamente escolhida):

"Eu não sou optimista nem pessimista, sou determinado".

Adivinhem qual dos dois entrevistados a disse.

Esta imagem foi publicada primeiro aqui.

São os que temos, ou somos nós que os escolhemos?

zedeportugal 30/07/2009 @ 16:42

N.º2 da série: Os portugueses serão masoquistas?

 

Socrates furiosoCavaco furioso

 

Os ingleses e os franceses usam apenas um verbo para significar tanto o ser como o estar - être e to be, respectivamente.
Os portugueses, não obstante usarem dois verbos diferentes, continuam a confundir o ser com o estar (e, também, o ser com o ter, mas isso é toda uma outra conversa).

Ser sério (honesto, de confiança) não é a mesma coisa que estar sério (não se rir). A riquíssima língua portuguesa tem uma designação própria para quem nunca se ri: mal-encarado.
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E, já agora que vem mesmo a propósito, ser e parecer também não são a mesma coisa.
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E ainda há quem acredite?!

zedeportugal 28/07/2009 @ 00:00

N.º1 da série: Os portugueses serão masoquistas?

Pinócrates

Sócrates promete mais medidas sociais
(Portugal Diário, 25-07-2009)

Sócrates promete resolver situação dos 25 mil jovens desempregados se ganhar eleições
(Público, 25.07.2009)

José Sócrates promete apostar nas energias renováveis caso seja reeleito
(RTP1/Antena1, 2009-07-22)

Sócrates promete novo subsídio para famílias abaixo do limiar da pobreza
(European Press Photo Agency, 18 de Jul de 2009)

PS: Sócrates promete duplicação do número de bolsas Erasmus no seu programa eleitoral
(European Press Photo Agency, 12 de Jul de 2009)

Sócrates promete alargar cheques-dentista
(Portugal Diário, 21-07-2009)

Sócrates promete programa "licenciamento zero" e duplicar creches com horário alargado
(European Press Photo Agency, 25 de Jul de 2009)

Sócrates promete 125 mil vagas em cursos profissionais
(Portugal Diário, 14-07-2009)

Sócrates promete "rigor" e "responsabilidade" nas contas públicas sem disfarce do défice
(European Press Photo Agency, 23 de Jul de 2009)

Sócrates promete "inov-social" e bolsa para ensino secundário
(Diário do Minho, 20-07-2009)

Sócrates promete ajudas para incentivar negócio de carros eléctricos
(TSF, 20 de Jul de 2009)

Sócrates promete défice dentro da média europeia
(Diário de Notícias, 20 de Jul de 2009)

 

Foram esses que trocaram a verdade de Deus pela mentira, e que veneraram as criaturas e lhes prestaram culto, em vez de o fazerem ao Criador, que é bendito pelos séculos! Ámen.
(Romanos 1, 25)

A propósito do auto elogio descarado* do primeiro ministro.

zedeportugal 25/07/2009 @ 17:38

PS caiu: o cartaz.

...
Los hombres que se nos presentan con aspecto imponente, los que valiéndose del adorno de su ciencia, o la afectación de sus virtudes, pretenden hacerse estimar en más de lo que valen, no pasan de ordinario de impostores perjudiciales.
...

Isócrates: Democracia, virtud, religión
Publicado por irichc en 4.7.09
en Frustración Voluntaria

*Sócrates diz que não há melhor primeiro-ministro, 23 Julho 2009, no Correio da Manhã.

Entre dois males não há que escolher.

zedeportugal 24/07/2009 @ 19:29

Transcrevo a seguir parte de mais um dos (poucos) textos de outrem que gostaria de ter escrito.

Caribdis

...
Como Ulisses, outrora, Portugal está hoje entre Cila e Caríbdis. A diferença –descomunal, assinale-se – é que enquanto o herói homérico se propunha seguir adiante, passando o mais incólume possível entre os dois perigos, Portugal, pelo contrário, como que seduzido pela vertigem do abismo, acomoda-se e abandona-se aos fluxos e refluxos do vórtice, num regime que tem tanto de estúpido quanto de suicida. Assim, onde o grego via uma passagem, o português descobre uma moradia. O resultado está à vista e é fatal, tanto na mitologia quanto na história: Ulisses ultrapassou Cila e Caríbdis e lá foi à vida dele; Portugal anda de Cila para Caríbdis e de Caríbdis para Cila, e não vai a lado nenhum, fora a morte certa e lenta. Para fugir das mandíbulas escancaradas de Cila, corre para Caríbdis; experimentando os horrores voraginosos de Caríbdis, retorna a Cila; e assim sucessivamente, numa espécie de suplício absurdo e colectivo, digno de causar inveja aos Sísifos e Tântalos do antigamente. Ou seja, onde a lucidez e a prudência de Odisseu urdiam escapar, a parvoíce e a toleima portuguesas mandam escolher. Diante de Cila e Caríbdis, a tripulação helénica sabe que tem que evitar ambos e passar adiante; a tripulação lusa o mais que consegue é embasbacar e ir a votos para eleger qual o perigo menor onde se entregar em naufrágio. De tal modo que onde a Odisseia relatava uma viagem, a de Odisseu, a Lusisseia (chamemos-lhe assim, ao naufrágio dos Lusos) transcreve, substancialmente, um regime: o regime alimentar de Cila e Caríbdis. À custa, como é evidente, da tansice, da cegueira e da pusilanimidade dos tais Lusos. Pois, com a regularidade típica das marés, e o intervalo cíclico de quatro anos, os náufragos tontos ora fornecem pasto a Cila, ora propiciam forragem a Caríbdis.
...

Entre o Pinóquio e a Bruxa
Publicada por dragão em 7/23/2009
no Dragoscópio

Economistas: Os novos oráculos.

zedeportugal 20/07/2009 @ 16:50

Espantoso é que a maior parte desta gente ridiculariza os cristãos pela sua fé em Deus!

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A pior recessão económica desde a Grande Depressão poderá ser prolongada devido aos consumidores continuarem a ver poucos sinais que as perdas de postos de trabalho e a queda dos preços das casas estarão a terminar, consideram os economistas Nouriel Roubini e Robert Shiller. (...)
(Roubini e Shiller prevêem recessão mais prolongada devido à falta de confiança, Patrícia  Abreu, 13 Julho 2009, Jornal de Negócios)

Quando, em 2006, Nuriel Rubini (que os ingleses escrevem Nouriel Roubini, para poderem ler o som "u", e os jornalistas portugueses copiam sem pensar) muito bem fundamentado previu esta crise, muito poucos quiseram saber.

(...) Hoje Roubini afirmou numa conferência em Nova Iorque que o pior da crise já está para trás, no que diz respeito às condições económicas e financeiras, e estas declarações surpreenderam os mercados, que entraram de imediato em território positivo, salienta a Bloomberg.
Depois de a CNBC noticiar as palavras de Roubini, os mercados accionistas norte-americanos e as cotações do petróleo dispararam. Os principais índices bolsistas do outro lado do Atlântico estão a ganhar terreno, muito perto de ganhos de 1%. O petróleo, por seu lado, que hoje estava a negociar em território negativo, já está no verde tanto em Londres como em Nova Iorque.
(...)
(Roubini diz que recessão acaba este ano, Carla Pedro, 16 Julho 2009, Jornal de Negócios)

Agora, qualquer afirmação sem fundamento vinda do mesmo homem é tomada como um oráculo. Haja paciência!

 

Sigam-me, não estou perdido

Follow me, I'm not lost...

 

O péssimo 'campeonato' da política em Portugal.

zedeportugal 11/07/2009 @ 12:41

Eleições 2009: A “federação” do “centrão” só gera corrupção.

 

Urna de voto

Imagine que existiam apenas 5 equipas no campeonato nacional da 1ª divisão de futebol: Porto, Sporting, Benfica, Nacional e Braga. O número de encontros diferentes possíveis seria de apenas 10 e o número de total de jogos de apenas 20.

Todos concordam, certamente, que seria um campeonato muito fraquinho.

Mas isso é exactamente o que acontece no “campeonato da 1ª divisão” na política em Portugal, aquele que se joga no Parlamento. São apenas 5 os “clubes”, a saber: PS, PSD, PCP, BE e CDS.

É preciso aumentar o número de “clubes” neste “campeonato” e as razões são fáceis de encontrar:

  1. Aumentar “o número de jogos”, isto é, levar a debate um maior número de assuntos da sociedade civil;

  2. Melhorar a “competitividade do campeonato”, quer dizer, tornar os debates mais diversificados e participados;

  3. Aumentar a “qualidade dos jogos”, ou seja, tornar cada debate mais intenso e renhido;

  4. Ampliar o “esforço de participação dos jogadores”, isto é, fazer com que os senhores deputados – muitos dos quais, actualmente, a única coisa que fazem é picar o ponto, levantar o rabo da cadeira nas votações e receber o ordenado – sejam mesmo obrigados a fazer qualquer coisinha para justificar minimamente o chorudo ordenado que recebem;

  5. Elevar o “número de adeptos do jogo” democrático, o que significa, fazer com que mais cidadãos se sintam representados nos seus interesses;

  6. Levar “mais gente aos estádios”, quer dizer, aumentar o número de observadores interessados no debate democrático das grandes questões da sociedade;

  7. Levar “mais gente à modalidade”, ou seja, fazer crescer o número de participantes no jogo da democracia, criando mais e melhores executantes – com todas as vantagens daí resultantes.

Nem todos têm que, ou querem, ser sócios do Futebol Clube do Porto, do Sporting Clube de Portugal ou do Sport Lisboa e Benfica. E, ainda bem, porque senão não existiriam o Leixões, a Académica, o Vitória de Guimarães, o Marítimo, o Paços de Ferreira, e todos os outros clubes.

Enquanto não estiver instaurado em Portugal um sistema político de real e verdadeira representatividade democrática, a única forma de os cidadãos terem os seus interesses minimamente representados e defendidos, nesta democracia dita representativa e não nominal à portuguesa, é usarem os seus votos para fazer eleger o maior número possível de deputados de pequenos partidos, cujo programa se situe o mais próximo possível da sua conveniência – com a garantia acrescida que estes deputados vão mesmo trabalhar e, mais importante ainda, criar as ondas de choque que obrigarão os outros a trabalhar também.

São vários os pequenos partidos a que os eleitores podem dar o seu voto. Vale a pena procurar saber o que defendem, o que se propõem fazer se tiverem deputados eleitos.

Por exemplo ( e isto são apenas exemplos e não são de modo algum recomendações), um cidadão (ou cidadã) que considere o mérito pessoal como valor social mais importante, deve votar MMS – Movimento Mérito e Sociedade. Ou, uma cidadã (ou cidadão) que acredite ser o colectivismo do operariado como a acção política mais necessária, deve votar POUS – Partido Operário de Unidade Socialista.

Fica aqui uma lista (por ordem alfabética) de alguns desses pequenos partidos, sempre que possível com indicação do endereço da respectivo sítio na internet. Vale a pena dar um olhada nos seus programas e nas suas intenções.

 

 

 

Os eleitores podem (e devem) mudar este “mau campeonato” com o seu voto.

O verdadeiro poder está nas mãos dos cidadãos eleitores.

Vamos por os políticos a trabalhar e a servir.

Chega de senhores e de cobradores.

 

Para evitar gastos com coisas destas em tempo de crise:

Pedido de desculpas