Administra o teu Blog

Cria o teu Blog Já! Fácil e Grátis

Categoria: NOVO AEROPORTO LISBOA

Lisboa – Novo Aeroporto ou novo “Ageitoporto”?

zedeportugal 13/09/2007 @ 01:12

(Parte 2)

Que poderosos interesses financeiros se movem por detrás desta decisão?

 

O problema da escolha da localização do novo aeroporto é que esta já estava enferma – de uma grave falta de democraticidade – mesmo antes de começar a colocar-se. Num país onde se praticasse a democracia, o(s) governo(s) teriam procedido do seguinte modo:

1º. Recepção do diagnóstico da necessidade da construção de um novo aeroporto, feito por entidade pública competente e isenta de outros interesses na questão;
2º. Condução do assunto perante a assembleia de representantes eleitos (a Assembleia da República, no caso português) para discussão e deliberação de execução;
3º. Encomenda de estudos aprofundados – não apenas económicos ou de construção - a entidades técnicas, públicas ou privadas, isentas de outros interesses na questão;

 

"O Novo Aeroporto de Lisboa e a escassez de petróleo
por Demétrio Carlos Alves

1- INTRODUÇÃO
A questão do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) tem sido muito discutida, mas estas discussões têm incidido quase exclusivamente nas questões: 1) da localização; 2) da oportunidade do investimento face a restrições económicas e orçamentais; 3) da problemática ambiental no próprio sítio da sua implantação.
Contudo, há outras vertentes que têm estado praticamente ausentes do debate público. Uma delas é absolutamente fundamental: trata-se da questão energética no mundo pós Pico Petrolífero (peak oil). A outra é a questão ambiental no que respeita ao impacte atmosférico dos gases de escape dos aviões.
...

2- INFLUÊNCIA DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS NA PROCURA DO TRANSPORTE AÉREO
A procura de transportes aéreos está intimamente ligada ao nível das tarifas, à frequência e à diversidade de ligações.
...

4- OS CUSTOS DO PETRÓLEO E SEUS DERIVADOS – IMPACTES SOBRE O TRANSPORTE AÉREO E INFRA-ESTRUTURAS AEROPORTUÁRIAS
As linhas aéreas americanas consumiram 18,5 mil milhões de galões [5] (84,1 mil milhões de litros) em 2004. Daqui pode-se deduzir que aproximadamente 20% da produção de refinados é constituída por jet fuel para a aviação civil.
...
Em Portugal, e de uma forma muito intensa, os custos da factura energética são já tremendos, como se poderá constatar no Quadro 4.

Quadro 4
Se seguíssemos a tendência apontada pelo Gráfico 1, embora esta ilação não seja rigorosa, teríamos o petróleo a US$ 80 por barril daqui por doze meses..."

 

4º. Publicação e discussão pública desses estudos, contendo várias hipóteses e sem designação de preferências por parte do poder para evitar movimentos especulativos;
5º. Consulta popular, provavelmente restringida ao conjunto dos municípios envolvidos nas hipóteses de localização, porque seriam esses os cidadãos directamente afectados pela escolha e não outros – cujos interesses passarão até pela melhoria de serviço nos outros aeroportos existentes na sua região;
6º. Finalmente, com todas as consultas feitas, todas as preferências manifestadas, o executivo tomaria uma decisão única, preparando nesse momento todas as acções legais respeitantes ao interesse público dos terrenos necessários para a infra-estrutura, por forma a não ficar na dependência da vontade e propriedade de terceiros.

Agora é tarde. O poder e o interesse público estão completamente à mercê do interesse privado, da especulação, das pressões institucionais (e outras) e de toda a espécie de tentativas de corrupção - ou jeitinhos, falando à portuguesa.

Jornal PÚBLICO
"Associação Comercial do Porto vai avançar com estudo sobre Portela+1
19.06.2007 - 10h13m, Margarida Gomes, Filomena Fontes

O presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira, aproveitou ontem a brecha aberta pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, para anunciar que já encetou contactos, junto da universidade e de empresas da região, para pôr em marcha um estudo alternativo à Ota e a Alcochete do novo aeroporto de Lisboa, que passa pela solução Portela+1."

 

o-2-aeroporto-de-lisboa-no-montijo-4752_s.jpg

 

Blog CABALAS
"Segunda-feira, Junho 4
Novo aeroporto de Lisboa, onde?
...
E, o que é estranho em toda esta discussão é que aparentemente se deitaram fora algumas soluções aparentemente muito mais vantajosas, a de manter a Portela associando-lhe a pista de Alverca."

Aeródromo de Alverca

 

 

Tudo isto tem custos, enormes custos. Uma coisa que os portugueses - não todos, felizmente, mas a maioria, infelizmente, governantes incluídos – parecem não conseguir perceber, é que a esperteza é uma forma muito degradada e distorcida da inteligência, cujas consequências a médio ou longo prazo são onerosas e penosas.

Camelos

E assim, lenta mas seguramente, nestes novos tempos (ao contrário de outros cuja glória ainda nos é dado recordar), vamos construindo um futuro cada vez pior para Portugal.

 

“UMA CIDADE ALICERÇADA NA INJUSTIÇA

9. Ouçam isto, chefes ... ; prestem atenção, governantes ... , vocês que têm horror ao direito e entortam tudo o que é recto;

10. constróem (as cidades) ... com perversidade.

11. Os vossos chefes proferem sentença a troco de suborno; os vossos sacerdotes ensinam a troco de lucro e os vossos profetas fazem oráculos a troco de dinheiro. E ainda ousam apoiar-se em Deus, dizendo: Por acaso, Deus não está no meio de nós? Nada de mau nos pode acontecer!” Miqueias 3

Lisboa – Novo Aeroporto ou novo “Ageitoporto”?

zedeportugal 03/09/2007 @ 12:39

Que poderosos interesses financeiros se movem por detrás desta decisão?

cartoon_airport.gif

 

Não gosto muito de fazer eco ou andar atrás dos jornais. Seguindo a simples lógica da quantidade, acho que devem ser os jornais a procurar inspiração nos blogues. Confesso mesmo, que não tenho particular simpatia pelo Público, o qual, num passado recente, mais parecia a folha oficial de propaganda do governo do José Sousa (recuso-me a usar o nome do filósofo grego, que morreu para não contradizer, perante os políticos da altura, aquilo que acreditava ser a verdade). Contudo, as contradições entre várias notícias respeitantes ao novo aeroporto de Lisboa causaram-me tal perplexidade, que se impõe a necessidade de as analisar e (tentar) esclarecer.
...

Notícia 1, no Público - a mais estranha (excerto):

Novo aeroporto de Lisboa
Van Zeller: "Foi Sócrates que pediu à CIP para avançar com estudo de alternativa à Ota"

Por Lusa
17.06.2007

O presidente da CIP–Confederação da Indústria Portuguesa garante que foi a pedido do primeiro-ministro, José Sócrates, que a confederação avançou para o estudo de uma alternativa à Ota, abandonando a ideia inicial de uma acção com outras entidades.
Francisco Van Zeller reafirma que "não houve qualquer acordo prévio com o Governo" sobre quem seriam as entidades promotores do estudo ou sobre o seu conteúdo, mas apenas a aceitação do pedido de Sócrates de que fosse a CIP a promover o documento.
No início, para além da CIP, acompanharam a ideia a Associação Comercial do Porto (ACP) e a Confederação do Turismo Português (CTP), como avançou Francisco Van Zeller, confirmando que o objectivo era que a coordenação fosse feita por um Agrupamento Complementar de Empresas.
Esta opção não teve o acordo de José Sócrates e o presidente da CIP aceitou o pedido de que fosse somente a sua confederação a avançar. "O primeiro-ministro disse que preferia assim, pois tinha mais contactos e conhecimento com a CIP do que com as outras duas", explicou.
Responsável nega interferência do Governo
Entretanto, a CTP tinha registado eleições e mudado de direcção, o que também alterou um pouco a situação. No entanto, o presidente da CIP nega quaisquer interferências, quer do primeiro-ministro, quer do ministro das Obras Públicas e Transportes, Mário Lino, no decorrer dos trabalhos.

...”

Notícia 2, no Público - que contradiz em muito a anterior (completa):

É uma decisão independente de Francisco van Zeller cidadão, dizem
Direcção da CIP demarca-se de estudo sobre novo projecto para aeroporto que será apresentado a Cavaco Silva

09.06.2007 - 13h54 Lusa

A direcção da CIP demarcou hoje a Confederação do estudo sobre a localização do novo aeroporto que Francisco Van Zeller vai apresentar ao Presidente da República na segunda-feira.
Em declarações à agência Lusa, um dos vice-presidentes da CIP, Reis Campos, afirmou que "ficou claro nos órgãos internos da Confederação que a CIP não patrocina, nem financia qualquer estudo para uma determinada localização do aeroporto".
"Não compete à CIP patrocinar ou financiar qualquer estudo que aponte para um determinado sítio", afirmou o vice-presidente, admitindo que "o engenheiro Van Zeller [presidente da CIP], enquanto cidadão, tem todo o direito de fazê-lo".
Outro dos vice-presidentes da CIP, Mira Amaral, tal como Reis Campos empossado no cargo a 2 de Maio, disse à agência Lusa que não conhece o estudo.
"Foi um assunto da anterior direcção", afirmou Mira Amaral, que referiu que "a actual direcção nunca se pronunciou sobre esse assunto".
Por seu turno, Reis Campos disse à Lusa que levantou a questão da qual tinha conhecimento através da Comunicação Social na única reunião que a actual direcção manteve até ao momento.
Nessa ocasião ficou claro que a CIP não patrocinaria nem financiaria qualquer estudo direccionado para um determinado sítio.
No entanto, o também presidente da Federação da Indústria de Construção considera que cabe à CIP promover fóruns de discussão sobre um assunto de tal importância.
De acordo com a edição de hoje do PÚBLICO, o estudo encomendado pela CIP foi coordenado pelo professor do Instituto Superior Técnico, José Manuel Viegas, e financiado por um conjunto de empresas cujos nomes ainda não foram divulgados.
Na sexta-feira, em declarações à agência Lusa, o presidente da CIP disse que o estudo, elaborado por 16 professores universitários, aponta para "três ou quatro localizações possíveis, cada uma delas com as suas vantagens e desvantagens, dentro de uma determinada área" geográfica, escusando-se a especificar qual.
Com mais de 100 páginas, é "um estudo muito aprofundado", patrocinado pela CIP, referiu ainda.
A entrega do estudo da CIP ao Presidente da República coincide com a realização de um colóquio, na Assembleia da República, para discutir as opções, custos, modelos de financiamento e gestão do novo aeroporto internacional de Lisboa.
Segundo a imprensa, o estudo aponta o Campo de Tiro de Alcochete como alternativa à Ota.”

Notícia 3, no Diário de Notícias – que sugere outras contradições (excerto):

“Domingo, 10 de Junho de 2007
Edição Papel
Alcochete e Ota pairam sobre festejos de Setúbal
SUSETE FRANCISCO e GRAÇA HENRIQUES
10 de Junho junta Cavaco e Mário Lino em Setúbal

Cavaco disse ontem que não era dia para falar da Ota, mas esta promete mesmo ser a semana da Ota. A começar já hoje e no palco a que Mário Lino chamou há poucas semanas um "deserto": o ministro das Obras Públicas e o Presidente da República encontram-se hoje nas cerimónias do 10 de Junho, em Setúbal. Será o primeiro frente-a-frente desde que Cavaco Silva começou a sublinhar a necessidade de estudos aprofundados sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa - em claro antagonismo com a posição do ministro, que tem reafirmado a opção do Governo pela Ota.
Com o Presidente da República a "apertar o cerco" à decisão do Executivo - amanhã, Cavaco recebe um estudo patrocinado pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) que defende o campo de tiro de Alcochete como a melhor localização, recebendo depois um grupo de representantes de um abaixo-assinado que pede mais estudos sobre esta matéria - a questão da Ota ameaça transformar-se no mais incómodo dos dossiers entre Belém e São Bento. "É um momento político delicado", reconhece fonte governamental. Que, mesmo afirmando que o Executivo "está aberto ao diálogo e vê com atenção todos os estudos", insiste que a Ota continua a ser a opção preferencial. Mesmo face ao estudo da CIP, que já está nas mãos do primeiro-ministro - mas ainda não de Mário Lino. Mas no interior do Governo, há já quem admita que o processo dependerá da pressão que Cavaco Silva exercer sobre a necessidade de considerar alternativas. Até agora, o chefe de Estado - que tem estado a ouvir diversas personalidades sobre esta matéria - tem repetido declarações a defender a necessidade de estudos e de um debate alargado sobre a localização do novo aeroporto, sem nunca se pronunciar em específico sobre a Ota. Mas a pressão em crescendo de Belém está a ser seguida com preocupação em São Bento.

...”

Perante tais contraditórios, muitas questões (pertinentes) se devem colocar. Mas vamos por partes, que a confusão é grande:

1ª. (Afinal) Quem encomendou o estudo da(s) alternativa(s) à Ota? A CIP, por intermédio do seu presidente? O eng.º Van Zeller, enquanto presidente da CIP? O presidente da CIP, enquanto cidadão Van Zeller?
Parece tratar-se de um grave problema de identidade, ou de múltipla personalidade.

2ª. (Afinal) Quem pagou o estudo? Contratar 16 professores universitários (mais o respectivo suporte) deve ser muito caro, não? Foi a CIP através do tal “conjunto de empresas, cujos nomes ainda não foram divulgados”? Foi o tal conjunto de empresas mistério, enquanto confederadas na CIP? Ou o dito conjunto de empresas enquanto tal, não sendo sequer confederadas na CIP?
(E, já agora...) Que interesses têm essas empresas, “cujos nomes ainda não foram divulgados”, na elaboração de estudos de localização do novo aeroporto de Lisboa? Quiçá, terá sido uma benemerência para com o governo português, ou para com a pessoa do primeiro-ministro, enquanto tal ou cidadão?
Parece tratar-se de um caso grave de conflito, talvez mesmo promiscuidade, de interesses.

3ª. (Afinal) A pedido de quem foi feito o estudo? Foi mesmo “Sócrates que pediu À CIP para avançar com o estudo de alternativa à OTA”? (Então) Porque é que o estudo foi entregue ao Presidente da República e não a quem o pediu? Porque é que o ministro das obras públicas não estava informado deste pedido (pessoal?) do primeiro-ministro à CIP (ou ao presidente da CIP, ou ao sr. Van Zeller, ou lá o que quer que seja...)? Não deverá considerar-se isto como uma grave falta de confiança política (ou deslealdade política) do primeiro-ministro para com o seu ministro das obras públicas? E, porque é que, mesmo depois de tomar conhecimento desta deslealdade por parte do chefe do governo, o ministro das obras públicas não pediu a demissão?
Parece tratar-se de um caso gravíssimo de arredamento da verdade. É, seguramente, uma história muito mal contada!

“Ai daqueles que nas suas camas maquinam a iniquidade e planeiam o mal, e quando raia o dia põem-no por obra, pois está no poder da sua mão.” Miqueias 2, 1

“Não conservam pura nem a vida, nem o casamento, e cada um elimina o outro por traição ou aflige-o com adultério. Por toda a parte há uma grande confusão, sangue e crime, roubo e fraude, corrupção e deslealdade, revolta e perjúrio, perseguição contra os bons e esquecimento da gratidão, impureza das almas e perversão sexual, ...” Sabedoria 14, 24 a 26

(a continuar)