Lisboa – Novo Aeroporto ou novo “Ageitoporto”?
Que poderosos interesses financeiros se movem por detrás desta decisão?
Notícia 1, no Público - a mais estranha (excerto):
“Novo aeroporto de Lisboa
Van Zeller: "Foi Sócrates que pediu à CIP para avançar com estudo de alternativa à Ota"
Por Lusa
17.06.2007
Francisco Van Zeller reafirma que "não houve qualquer acordo prévio com o Governo" sobre quem seriam as entidades promotores do estudo ou sobre o seu conteúdo, mas apenas a aceitação do pedido de Sócrates de que fosse a CIP a promover o documento.
No início, para além da CIP, acompanharam a ideia a Associação Comercial do Porto (ACP) e a Confederação do Turismo Português (CTP), como avançou Francisco Van Zeller, confirmando que o objectivo era que a coordenação fosse feita por um Agrupamento Complementar de Empresas.
Esta opção não teve o acordo de José Sócrates e o presidente da CIP aceitou o pedido de que fosse somente a sua confederação a avançar. "O primeiro-ministro disse que preferia assim, pois tinha mais contactos e conhecimento com a CIP do que com as outras duas", explicou.
Responsável nega interferência do Governo
Entretanto, a CTP tinha registado eleições e mudado de direcção, o que também alterou um pouco a situação. No entanto, o presidente da CIP nega quaisquer interferências, quer do primeiro-ministro, quer do ministro das Obras Públicas e Transportes, Mário Lino, no decorrer dos trabalhos.
...”
Notícia 2, no Público - que contradiz em muito a anterior (completa):
“É uma decisão independente de Francisco van Zeller cidadão, dizem
Direcção da CIP demarca-se de estudo sobre novo projecto para aeroporto que será apresentado a Cavaco Silva
09.06.2007 - 13h54 Lusa
Em declarações à agência Lusa, um dos vice-presidentes da CIP, Reis Campos, afirmou que "ficou claro nos órgãos internos da Confederação que a CIP não patrocina, nem financia qualquer estudo para uma determinada localização do aeroporto".
"Não compete à CIP patrocinar ou financiar qualquer estudo que aponte para um determinado sítio", afirmou o vice-presidente, admitindo que "o engenheiro Van Zeller [presidente da CIP], enquanto cidadão, tem todo o direito de fazê-lo".
Outro dos vice-presidentes da CIP, Mira Amaral, tal como Reis Campos empossado no cargo a 2 de Maio, disse à agência Lusa que não conhece o estudo.
"Foi um assunto da anterior direcção", afirmou Mira Amaral, que referiu que "a actual direcção nunca se pronunciou sobre esse assunto".
Por seu turno, Reis Campos disse à Lusa que levantou a questão da qual tinha conhecimento através da Comunicação Social na única reunião que a actual direcção manteve até ao momento.
Nessa ocasião ficou claro que a CIP não patrocinaria nem financiaria qualquer estudo direccionado para um determinado sítio.
No entanto, o também presidente da Federação da Indústria de Construção considera que cabe à CIP promover fóruns de discussão sobre um assunto de tal importância.
De acordo com a edição de hoje do PÚBLICO, o estudo encomendado pela CIP foi coordenado pelo professor do Instituto Superior Técnico, José Manuel Viegas, e financiado por um conjunto de empresas cujos nomes ainda não foram divulgados.
Na sexta-feira, em declarações à agência Lusa, o presidente da CIP disse que o estudo, elaborado por 16 professores universitários, aponta para "três ou quatro localizações possíveis, cada uma delas com as suas vantagens e desvantagens, dentro de uma determinada área" geográfica, escusando-se a especificar qual.
Com mais de 100 páginas, é "um estudo muito aprofundado", patrocinado pela CIP, referiu ainda.
A entrega do estudo da CIP ao Presidente da República coincide com a realização de um colóquio, na Assembleia da República, para discutir as opções, custos, modelos de financiamento e gestão do novo aeroporto internacional de Lisboa.
Segundo a imprensa, o estudo aponta o Campo de Tiro de Alcochete como alternativa à Ota.”
Notícia 3, no Diário de Notícias – que sugere outras contradições (excerto):
“Domingo, 10 de Junho de 2007
Edição Papel
Alcochete e Ota pairam sobre festejos de Setúbal
SUSETE FRANCISCO e GRAÇA HENRIQUES
10 de Junho junta Cavaco e Mário Lino em Setúbal
Com o Presidente da República a "apertar o cerco" à decisão do Executivo - amanhã, Cavaco recebe um estudo patrocinado pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) que defende o campo de tiro de Alcochete como a melhor localização, recebendo depois um grupo de representantes de um abaixo-assinado que pede mais estudos sobre esta matéria - a questão da Ota ameaça transformar-se no mais incómodo dos dossiers entre Belém e São Bento. "É um momento político delicado", reconhece fonte governamental. Que, mesmo afirmando que o Executivo "está aberto ao diálogo e vê com atenção todos os estudos", insiste que a Ota continua a ser a opção preferencial. Mesmo face ao estudo da CIP, que já está nas mãos do primeiro-ministro - mas ainda não de Mário Lino. Mas no interior do Governo, há já quem admita que o processo dependerá da pressão que Cavaco Silva exercer sobre a necessidade de considerar alternativas. Até agora, o chefe de Estado - que tem estado a ouvir diversas personalidades sobre esta matéria - tem repetido declarações a defender a necessidade de estudos e de um debate alargado sobre a localização do novo aeroporto, sem nunca se pronunciar em específico sobre a Ota. Mas a pressão em crescendo de Belém está a ser seguida com preocupação em São Bento.
...”
Perante tais contraditórios, muitas questões (pertinentes) se devem colocar. Mas vamos por partes, que a confusão é grande:
1ª. (Afinal) Quem encomendou o estudo da(s) alternativa(s) à Ota? A CIP, por intermédio do seu presidente? O eng.º Van Zeller, enquanto presidente da CIP? O presidente da CIP, enquanto cidadão Van Zeller?
Parece tratar-se de um grave problema de identidade, ou de múltipla personalidade.
2ª. (Afinal) Quem pagou o estudo? Contratar 16 professores universitários (mais o respectivo suporte) deve ser muito caro, não? Foi a CIP através do tal “conjunto de empresas, cujos nomes ainda não foram divulgados”? Foi o tal conjunto de empresas mistério, enquanto confederadas na CIP? Ou o dito conjunto de empresas enquanto tal, não sendo sequer confederadas na CIP?
(E, já agora...) Que interesses têm essas empresas, “cujos nomes ainda não foram divulgados”, na elaboração de estudos de localização do novo aeroporto de Lisboa? Quiçá, terá sido uma benemerência para com o governo português, ou para com a pessoa do primeiro-ministro, enquanto tal ou cidadão?
Parece tratar-se de um caso grave de conflito, talvez mesmo promiscuidade, de interesses.
3ª. (Afinal) A pedido de quem foi feito o estudo? Foi mesmo “Sócrates que pediu À CIP para avançar com o estudo de alternativa à OTA”? (Então) Porque é que o estudo foi entregue ao Presidente da República e não a quem o pediu? Porque é que o ministro das obras públicas não estava informado deste pedido (pessoal?) do primeiro-ministro à CIP (ou ao presidente da CIP, ou ao sr. Van Zeller, ou lá o que quer que seja...)? Não deverá considerar-se isto como uma grave falta de confiança política (ou deslealdade política) do primeiro-ministro para com o seu ministro das obras públicas? E, porque é que, mesmo depois de tomar conhecimento desta deslealdade por parte do chefe do governo, o ministro das obras públicas não pediu a demissão?
Parece tratar-se de um caso gravíssimo de arredamento da verdade. É, seguramente, uma história muito mal contada!
“Ai daqueles que nas suas camas maquinam a iniquidade e planeiam o mal, e quando raia o dia põem-no por obra, pois está no poder da sua mão.” Miqueias 2, 1
“Não conservam pura nem a vida, nem o casamento, e cada um elimina o outro por traição ou aflige-o com adultério. Por toda a parte há uma grande confusão, sangue e crime, roubo e fraude, corrupção e deslealdade, revolta e perjúrio, perseguição contra os bons e esquecimento da gratidão, impureza das almas e perversão sexual, ...” Sabedoria 14, 24 a 26
(a continuar)
Tags: lisboaaeroporto ota alcochete cip zeller conflito interesses financeiro sócrates lino deslealdade política cavaco
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Pois é, caro Zé, isto proveio de um acordo CIP-Cavaco. Para salvar a face de Sócrates - pedido de Cavaco na fase colaborativa pré-canudo - disse-se que foi... Sócrates quem pediu o estudo!...