O desporto enlatado e a pagar...
... a que estes mandantes espertos nos querem obrigar.
Não se escolhe o lugar de nascimento. Alguns tiveram a sorte de nascer em países com belos climas, como O Reino Unido ou a Dinamarca, e podem fazer exercício ao ar livre, em belos parques.
Outros, menos afortunados, nasceram em Portugal e têm que fazer exercício em ginásios.
Milhões de portugueses sofriam, em silêncio, esta grave situação. Atento, o governo decidiu baixar o IVA deste bem absolutamente de primeira necessidade, que é o acesso ao ginásio. Mais um acto com elevado valor humanitário do executivo deste pequeno, mas bem governado país.
Como é possível que, depois de um gesto tão benevolente, os ginásios não tenham baixado de preço. É um escândalo nacional que chega a atingir repercussões multinacionais. O governo recomenda aos utentes que se queixem e, em seguida, vai pegar nessas queixas e usá-las para obrigar os ginásios a baixar os preços e castigá-los a indemnizar os clientes. Bem feito! Quem julgam eles que são? A DGCI, não?
São decisões destas que vão, finalmente, salvar a economia do país e resolver o problema da pobreza e do desemprego em Portugal. Então não?
“... O amor à Natureza não fornece trabalho a nenhuma fábrica. Foi, pois, decidido abolir o amor à Natureza, pelo menos entre as classes baixas; abolir o amor à Natureza, mas não a tendência para utilizar transportes. ... Ao mesmo tempo, fazemos o necessário para que todos os desportos ao ar livre exijam o emprego de aparelhagem complicada. De maneira que, assim, consomem-se artigos manufacturados e, ao mesmo tempo, utilizam-se os transportes. ...” (transcrição parcial de: HUXLEY, Aldous, Admirável Mundo Novo, edição Livros do Brasil, Lisboa, páginas 38 e 39)
Huxley estava desatento quando escreveu isto e esqueceu-se da maior das indústrias – a construção civil. Desportos ao ar livre? Nem pensar! Só no ginásio, a pagar, claro. A realidade ultrapassa a ficção.
Os impios governantes deste rincão lusitano só precisam de mais algum tempo no poder para acabar com os exemplos indesejáveis, como este.
Tags: desporto enlatado ginásio indispensável queixas denúncias ameaças
Do Melhor
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Se não fosse trágico era cómico.
Huxley se tivesse nascido uns anos mais tarde e neste jardim à beira-mar plantado não teria escrito o "Admirável Mundo Novo" mas sim o "Admirável Mundo Podre".
Abraço
Olha, não li a Bíblia nem qualquer dos livros que aconselhas. Posso continuar a comentar? Dás um salvo-conduto mesmo a um ímpio como eu?
Obrigado pela visita a este meu humilde espaço e pelo comentário.
És sempre bem-vindo e não precisas de salvo-conduto.
O teu comentário chamou-me a atenção (inadvertidamente ou de propósito?) para um erro do meu texto. Vou emendar imediatamente. Usei a palavra "ímpio" (que signica ateu, aquele que não tem fé) e queria ter usado a palavra "impio" (que significa desumano, cruel, aquele que não tem piedade).
Quanto a ti, duvido que sejas um ímpio. Uma pessoa que busca a beleza como tu procuras, está mais próxima de Deus do que o que quer admitir. A palavra chave aqui é QUERER.
Admirável Mundo Novo... que tais criaturas produziste!
Este seu postal tem direito a "prolongamento", porque me inspirou para fazer um outro, no meu blogue (passe a publicidade...): AO AR LIVRE.
Ao ar livre, o desporto é grátis (por enquanto... é melhor não dizer isto muito alto!) e mais saudável.
Ao ar livre, o desporto é mais livre e as pessoas também.
Ou seja, um conjunto de enormes desvantagens - aos olhos dos nossos governantes.