Ministra da Educação fora de prazo.
Já não há paciência para tanta demagogia, tanta falsidade.

Ou, como diz o povo na sua deseducada crueza: já não há pachorra para tanta aldrabice!
1º andamento - A sr.a ministra mete-se a fazer contas:
"... «Se o Estado gasta por ano três mil euros com um aluno, quando ele repete vai custar seis mil no ano seguinte» ..." (Público, Chumbos no básico e secundário custam mais de 600 milhões de euros por ano, 30.04.2008 - 09h04, Isabel Leiria)
Como a sr.a ministra não fez o trabalho de casa - dando um péssimo exemplo à população escolar -, não sabia os verdadeiros números do custo unitário por aluno e ano no ensino não superior. Felizmente, o eficientíssimo pessoal do Correio da Manhã leu tudo o que a sr.a ministra devia ter lido (e mais) e chegou brilhante conclusão abaixo transcrita.
"... cruzando os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do Gabinete de Estatística do ME, chega-se a um total de 743 milhões de euros anuais. Isto porque, segundo o relatório ‘Education at a Glance 2007’, da OCDE, cada aluno do Ensino Não Superior custa, em Portugal, cinco mil euros ao ano. Segundo o ME, em 2006/2007 estavam matriculados no ensino público 1 168 307 alunos: 950 473 no Básico e 217 834 no Secundário. ..." (Correio da Manhã, 743 milhões em chumbos, 30 Abril 2008 - 10h00, Edgar Nascimento / Lusa)
Cálculos simplistas, simplórios ou "simplex"? Incompleta e tendenciosa formulação do problema, com omissão (ou viciamento) de premissas. Para terem um mínimo de correcção, os cálculos terão que incluir o custo (mesmo que estimado) da entrada de um indivíduo não preparado no mundo do trabalho.
Quanto custa ao Estado e à Sociedade um incapacitado precoce, em consequência de, por exemplo, não ter sido capaz de compreender pela leitura as simples regras de segurança afixadas no seu local de trabalho?
Quanto custa ao País a pré-formação que as Empresas têm que fazer, por exemplo, aos novos operadores de caixa por causa da sua ignorância do simples cálculo aritmético?
Quanto custa a todos a todos os portugueses a ignorância, a incapacidade, a incompetência, o desemprego, o desajustamento social e as (re)formações apressadas do IEFP?
2º andamento - a sr.a ministra tende a dizer necedades:
"... «Os sistemas de ensino moderno tentaram substituir um sistema chamado "chumbo" por outros instrumentos chamados "mais trabalho". É isso que precisamos de fazer nas nossas escolas: substituir este instrumento que não tem um objectivo de recuperação» ..." (Público, Chumbos no básico e secundário custam mais de 600 milhões de euros por ano, 30.04.2008 - 09h04, Isabel Leiria)
Quais são os "sistemas de ensino moderno" a que se refere? A que orientação psico-didáctica se refere a ministra? Os "sistemas" que as escolas usam actualmente não são suficientemente modernos?
Mais trabalho para quem? Então esta "eminente pedagoga", esta "excelsa didacta" não saberá que o ensino tem como condição primeira o desejo de aprender. Nem os cães aprendem forçados. Bastaria, aliás, ver vossência o exemplo próprio de quem nada aprendeu nos últimos três anos (pelo menos).
O que significa a palavra "chumbo"? Não progressão para o nível seguinte de aprendizagem por falta de competência? A acérrima defensora das "Novas Oportunidades" não admite que um(a) jovem possa ter (tão somente) outra oportunidade? Vossência, que percebe(??) tão bem os alunos, não saberá que eles aceitam e compreendem a necessidade de permanecer num determinado nível de um jogo electrónico, por não ter atingido a pontuação (o "score", dizem eles) necessário para passar ao nível seguinte? E também compreendem (muito bem) que quem faz batota (eles dizem "cheats") não pode ser considerado vencedor nem capaz para competir.
3º andamento - o da saída inteligente:
Saber quando sair de uma determinada situação é um sinal de inteligência. Tomar a iniciativa é apanágio dos fortes. Não se esqueça que tem um belo par de patins à sua espera, mais cedo ou mais tarde...
Tags: ministra educação inverosímil caducada
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