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Os portugueses ficaram definitivamente apátridas.

A minha Pátria é a língua portuguesa - Fernando Pessoa.

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Apesar disso e das 87.742 assinaturas com que já contava a petição Manifesto Em Defesa da Lingua Portuguesa Contra o Acordo Ortográfico, Cavaco Silva promulgou o Acordo Ortográfico.

Depois de venderem o mar e também a terra, a gente e também a Fé, finalmente venderam aquilo que pareceria impossível: a lusa Língua.

A História os julgará e o Povo, apesar de já lhe terem vendido também a soberania.

Novecentos anos de História não se apagam com decretos e traição, nem com subsídios e centros comerciais.

Nota aos meus amigos e leitores brasileiros, cabo-verdianos e outros lusófonos: Este acordo não é mau apenas para os portugueses. Toda a lusofonia perde com a perda da lusa referência. Toda a uniformização é empobrecedora. Uma Língua viva está sempre a divergir e a criar singularidades - doutra forma estará morta.

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Comentários(4) »

  1. JPG — 24-07-2008 - 17:10:08 GMT 1

    Parece-me que existirá ainda um último recurso: lançar a petição em papel, com campanhas de promoção e recolha de assinaturas em plena rua, nos locais de trabalho, nos eventos públicos, etc.

    90.000 não é "nada", mas uns milhões de assinaturas poderiam servir como um verdadeiro (e único, e sério) referendo. E a coisa ainda teria mais valor por ser politicamente descomprometida...

    Fala-se muito de "sociedade civil", em Portugal, mas a verdade é que muito raramente (e muito tibiamente) se vê a dita a fazer alguma coisa.

  2. Denise Ferreira Rodrigues — 22-05-2009 - 14:44:30 GMT 1

    Também achei absurda esta reforma ortográfica (assim como boa parte dos brasileiros). Tenho sido muito prejudicada, pois a reforma já está vigendo no Brasil, que, como sempre, exige aquilo que não oferece. Estou desenvolvendo meu Trabalho de Graduação na faculdade de Direito, e simplesmente não sabia se deveria adotar ou não a reforma ortográfica. Por orientação de meu Prof, que é também Juiz de Direito, para realizar meu Trabalho com a devida seriedade, vou ignorá-la.

    A individualidade de cada cultura deve ser respeitada... educar não é enfiar todo o mundo na mesma "forma" ...e engulir o que doutores que não tem o que fazer ditam para as diferentes culturas. Se o povo brasileiro tivesse sido ouvido por meio de prebiscito, acredito que está reforma não teria acontecido.

  3. zedeportugal — 22-05-2009 - 15:29:44 GMT 1

    Grato por confirmar aquilo que eu já suspeitava: que esta reforma não interessa nem a portugueses, nem a brasileiros, mas apenas aos oportunistas editoriais qualquer que seja a sua nacionalidade.
    Estou tentado a usar o seu texto num novo postal sobre o assunto, embora com as correcções ortográficas que o tema torna absolutamente imprescidíveis. :)
    (engolir, plebiscito)
    Posso?
    Boa sorte para o seu Trabalho de Graduação.

  4. Antonio — 13-06-2009 - 14:30:08 GMT 1

    Caros colegas de língua,
    Não sejamos reacionários nem muitos menos analfabetos. A língua não é mais portuguesa nem de ninguém, nós que a usamos (devida ou indevidamente) é que pertencemos a ela. Portugal, em séculos passados, quando plantou em cada continente a semente desse belo idioma, ao mesmo tempo em que expandiu seus domínios impondo sua cultura, lançou mão do mesmo. A língua fez seu decurso natural; não será normas de escrita (é bom que se frise, só começaram a ser pensadas há um século) que usurparão do povo português sua cultura, visto que esta não se encontra no corpo(grafema) da palavra, mas na sua alma patente. Em 1971, quando o decreto do governo altera algumas regras da ortografia de 1943: abolição do trema nos hiatos átonos: saüdade (=saudade), vaïdade (= vaidade); ambas as palavras continuaram as mesmas; continuamos saudosistas, sentimos a mesma saudade e, pelo visto, a mesma vaidade.

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