De volta a Portugal,
e al portoghese, questa grande nazione.
Ah, os portugueses! Um povo absolutamente inimitável.
Uma nação de sábios, onde qualquer ajudante sabe mais que o licenciado em Farmácia, qualquer mestre de obras sabe mais que o arquitecto e emenda os cálculos do engenheiro, qualquer endireita se julga um médico, qualquer pessoa com uma moto-serra nas mãos se considera um jardineiro, qualquer licenciado em engenheiria pode fazer “arquitectura”, e dizer com toda a impudência ignorante que qualquer "primeiro-ministro percebe que 3% é diferente de 2,9%, 2,8%, 2,7% ou 2,6%", até porque, detalhou, "1% do PIB são 170, 180 milhões de euros".
Um povo que aceita, como parte da normalidade, que a obtenção de uma posição laboral não esteja relacionada com a competência ou o mérito do pretendente, mas antes com quem ele conhece; um povo que valoriza mais a esperteza (entendida como a capacidade de tirar lucro de burlas, mentiras e enganos aos outros) do que a inteligência, mais o desenrascanço existencial do que a planificação da vida, mais a graçola boçal do que o dito bem-educado.
De volta, pois. Para já. Meditando a afirmação de Cícero: Ubi bene, ibi Patria.
Nota de actualização (19:40): Uma nação com a ignorância agora devidamente certificada no programa Novas Oportunidades... ou será "Gandas Oportunidades"?
Tags: portuguesa boçalidade nação impudência ignorância primeiro-ministro
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