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As ameaças aos cidadãos por parte das empresas monopolistas e de controle estatal em Portugal.

Corporate bulliesO caso da EDP.

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Como vem acontecendo de há vários anos a esta parte e com alguma regularidade, a EDP ataca comercialmente (e literalmente) os seus clientes com pressões, ora positivas (promessas publicitárias), ora negativas (ameaças quanto às condições de prestação do serviço), para que esses mesmos clientes acabem por se sujeitar ao pagamento automático ou, melhor dito, por débito directo autorizado – veja aqui as razões (deles €€€) para tamanha fuçanguice.

 

Como acontece com frequência (e por mais que me queixe não consigo ver isto resolvido) recebi na minha caixa do correio no dia 26 de Outubro de 2009 uma factura da EDP com data limite de pagamento para o dia... 23 de Outubro, o que já significava um pagamento adicional para mim de 1,25 euros de uma coisa a que eles chamam “Mora/Juros atraso de pagamento” mas que é, afinal, um valor fixo que não depende do montante da factura.

 

Normalmente, lá vou eu pagar a coisa e reclamar novamente nos Correios de Portugal (outra empresa que tal) e costuma ficar por aqui. Mas desta vez a coisa foi um pouco mais longe. Apenas dois dias depois, a 28 de Outubro de 2009 recebo, na mesma caixa de correio, uma outra carta da EDP (datada exactamente de 28 de Outubro!) com o seguinte texto em assunto: “Atraso no pagamento. Suspensão do fornecimento de energia eléctrica.”.

 

A isto chama-se actualmente bulliyng comercial e é legalmente penalizado em muitos países civilizados.

 

A EDP é a maior empresa industrial portuguesa e detém o monopólio da distribuição (e o quase monopólio da produção) de electricidade em Portugal.

 

Pergunta-se: - Porque é que uma empresa com 9 milhões e 700 mil clientes e um resultado líquido acumulado de 750 milhões de euros só nos primeiros 9 meses deste ano trata assim os seus clientes – os particulares, aqueles que pagam sempre, ao contrário de muitos institucionais e empresariais (como p. ex. câmaras municipais e empresas públicas) que devem - e por vezes não chegam a pagar - somas enormes?

 

Resposta: - Obviamente, porque não tem concorrência!

 

Os portugueses foram mais uma vez enganados.

A liberalização do mercado de energia eléctrica em baixa tensão em vez de trazer a preconizada concorrência entre diversos fornecedores, trouxe um aprofundar do monopólio da EDP com o chamado MIBEL (Mercado Ibérico de Electricidade) e o OMIP (Operador do Mercado Ibérico de Energia- pólo português).

 

Resultado: os portugueses são mal servidos, maltratados, indecentemente enganados e pagam uma das energias eléctricas mais caras da Europa.

 

Quando é que os portugueses e, especialmente, as portuguesas, perceberão que isto tem que mudar? Que um governante ou um gestor público têm que ser mais que um fato de marca ou uma atitude dominadora? Que a competência, a honestidade e o sentido de serviço são absolutamente imprescindíveis àqueles a quem o povo soberano outorga o poder de tomar as decisões que moldam o destino do país?

 

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Do Melhor Linkk | del.icio.us

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